Delacourte Paris https://blog.delacourte.com Le Guide du Parfum Fri, 07 Aug 2026 09:32:06 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.6 https://blog.delacourte.com/uploads/2025/10/cropped-favicon-delacourte-32x32.png Delacourte Paris https://blog.delacourte.com 32 32 Eau de toilette vs Eau de parfum: qual dura mais? https://blog.delacourte.com/pt/eau-de-toilette-eau-de-parfum-extrait-duracao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=eau-de-toilette-eau-de-parfum-extrait-duracao Thu, 23 Apr 2026 07:03:32 +0000 https://blog.delacourte.com/eau-de-toilette-eau-de-parfum-extrait-duracao/ Eau de Toilette, Eau de Parfum ou Extrait: qual dura verdadeiramente mais? A verdade de uma especialista É a pergunta que me fazem com mais frequência, e o

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Eau de Toilette, Eau de Parfum ou Extrait: qual dura verdadeiramente mais? A verdade de uma especialista
Fotografia artística que ilustra a textura e a difusão de um perfume para comparar a eau de toilette e a eau de parfum.

É a pergunta que me fazem com mais frequência, e o preconceito mais resistente em perfumaria: “Para que o meu perfume dure o dia todo e deixe um sillage inesquecível, tenho obrigatoriamente de comprar a Eau de Parfum ou o Extrait, não é verdade?”

Em teoria, a resposta parece lógica: quanto mais concentrado, mais potente. Mas a realidade da criação olfativa é infinitamente mais complexa (e mais fascinante). Enquanto criadora, vou revelar-vos os bastidores. Esqueçam as percentagens, eis o que determina verdadeiramente a durabilidade de um perfume.

A ilusão das percentagens: um argumento frequentemente de marketing

É preciso saber, antes de mais, que não existe qualquer regulamentação estrita nesta matéria. Qualquer marca pode escolher a denominação que desejar no lançamento de um novo perfume.

Geralmente, lê-se esta grelha teórica:

  • A Eau de Toilette: entre 3 % e 20 % de concentração.
  • A Eau de Parfum (ou Esprit de Parfum): entre 15 % e 30 %.
  • O Extrait de Parfum: entre 20 % e 40 %.

Mas tudo isto é hoje uma visão ultrapassada. Para compreender porquê, é necessário recuar no tempo. A Eau de Parfum nem sempre existiu. Chegou às prateleiras nos anos 70/80, em parte por razões fiscais (IVA), e foi formulada para justificar um preço de venda mais elevado. A concentração tornou-se então um poderoso argumento de venda.

Os monumentos da perfumaria: Eaux de Toilette de enorme potência

Regressemos às origens. As grandes obras-primas que marcaram a história, como Shalimar, Mitsouko ou L’Heure Bleue da Guerlain, mas também Eau Sauvage da Dior ou Pour un Homme de Caron, foram todas lançadas e concebidas em versão Eau de Toilette.

As suas concentrações eram surpreendentemente baixas:

  • Cerca de 3 % para uma obra-prima como a Eau Sauvage.
  • Entre 6 % e 8 % para os grandes clássicos da Guerlain.

No entanto, estas Eaux de Toilette possuíam (e ainda possuem) um sillage, uma difusão e uma presença extraordinários, que superam largamente certos Extraits modernos!

O segredo da formulação: uma questão de estética, não apenas de álcool

Um erro comum é pensar que, para criar uma Eau de Parfum, o criador pega no tanque da Eau de Toilette e simplesmente adiciona menos álcool. Isso é falso.

Muitas vezes, para um mesmo nome de perfume, o acorde principal (a assinatura) permanece igual, mas as matérias-primas mudam. Por exemplo, numa Eau de Toilette, o perfumista privilegiará um néroli, luminoso e fresco. Para declinar esse perfume em Eau de Parfum, utilizará o absoluto de flor de laranjeira, mais denso, quente e voluptuoso.

É por isso que certas pessoas preferirão sempre a Eau de Toilette à Eau de Parfum da sua fragrância favorita: a diferença não reside na potência, mas na estética e na emoção da composição.

A tendência do Extrait: a revolução vinda do Oriente

Hoje assistimos a uma corrida à concentração, impulsionada por uma nova tendência oriunda do Médio Oriente. Há cerca de 30 anos, uma pioneira como Martine Micallef misturou as culturas olfativas ao introduzir o oud nas suas criações ocidentais.

No Médio Oriente, o perfume é um ritual omnipresente. A sobreposição (layering), as matérias extremamente ricas (Oud, madeiras ambaradas, almíscares) e os sillages opulentos são a norma. O público europeu adorou estas “bombas” de difusão.

Para responder a esta procura, as marcas propõem concentrações vertiginosas. Na Amouage, encontram-se extraits a 45 % ou 50 %. Mas atenção: se estes perfumes difundem tanto, deve-se sobretudo à natureza dos seus ingredientes (as madeiras ambaradas e o Oud são naturalmente de enorme potência), mais do que à sua simples concentração em percentagem.

Todas as grandes marcas internacionais que seguiram esta tendência têm agora no seu catálogo notas à base de oud ou de madeiras ambaradas, fragrâncias frequentemente muito concentradas.

A jovem marca coreana Born To Stand Out propõe extraits que atingem os 60 %, com propostas que não exploram necessariamente as notas orientais.

(Pequeno conselho prático de especialista: desconfie dos perfumes ultra-concentrados, pois o seu elevado teor em óleos essenciais pode manchar as suas roupas!)

O paradoxo do Extrait que “cola à pele”

Tecnicamente, poderia pensar-se que quanto mais concentrado é um perfume, mais longe se projeta. Contudo, é frequentemente o inverso que acontece.

Posso citar-vos Extraits de grandes marcas internacionais, concentrados a 40 %, compostos com belas matérias clássicas, que são certamente muito persistentes na pele, mas que não têm qualquer difusão. Porquê? Porque um excesso de notas de fundo (as notas mais pesadas) aliado a uma concentração extrema impede o perfume de “florescer”. Fica bloqueado, “cola” à pele, criando uma bolha íntima, mas nenhum sillage à sua passagem.

Pelo contrário, existem Eaux de Toilette muito pouco concentradas, mas orquestradas com moléculas tão vibrantes que preenchem uma divisão inteira.

A única coisa que importa: o talento e a orquestração

Na verdade, a química da sua pele (o seu pH, a sua alimentação, as suas hormonas) interagirá sempre de forma diferente com o perfume. Mas para além da pele, é o trabalho da artista que prevalece.

Uma perfumista talentosa não se apoia em percentagens. Apoia-se em:

  • A sua ideia: Tem de ser clara, emocionante e audaciosa para deixar uma marca indelével.
  • O acorde central: Essa magia criada com apenas 4 ou 6 ingredientes fundadores que dão a alma e a arquitetura ao perfume.
  • A orquestração: O domínio absoluto da interação entre as matérias naturais e as moléculas de síntese (algumas das quais, muito recentes, têm uma potência alucinante). O objetivo é que se sublimem mutuamente para serem ao mesmo tempo persistentes e difusivas.

Em resumo, a concentração nunca fez o talento nem a memória de um belo perfume. Esqueçam os rótulos, as percentagens e os argumentos de venda. O que recordamos de um grande perfume, o que nos torna inesquecíveis, é a elegância e o rasto que deixa no ar.

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Perfume de inverno: Notas quentes, duração e guia de fragrâncias https://blog.delacourte.com/pt/como-escolher-perfume-inverno-2/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=como-escolher-perfume-inverno-2 Fri, 20 Mar 2026 08:54:49 +0000 https://blog.delacourte.com/como-escolher-perfume-inverno-2/ Como escolher o seu perfume de inverno? O guia das notas reconfortantes O inverno transforma a nossa relação com os perfumes. Quando as temperaturas descem e a luz

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Como escolher o seu perfume de inverno? O guia das notas reconfortantes

Perfume de inverno: Notas quentes, duração e guia de fragrâncias

O inverno transforma a nossa relação com os perfumes. Quando as temperaturas descem e a luz diminui, os nossos desejos olfativos também mudam. Menos instintiva do que parece, a escolha de um perfume de inverno pode tornar-se um verdadeiro ritual sensorial e emocional, voltado para o calor e o reconforto.

Porque mudar de perfume no inverno?

A nossa pele, as nossas emoções, o nosso ritmo de vida: tudo evolui no inverno. O frio atenua a difusão das fragrâncias, a pele torna-se mais seca e o nosso estado de espírito procura frequentemente reconforto ou energia.

Usar o mesmo perfume fresco do verão pode então parecer desajustado, ou até frustrante. Escolher um perfume de inverno é, portanto, adaptar-se à estação… mas também a si próprio. Siga as suas sensações para encontrar a fragrância que o envolve.

O frio trava o rasto: Como maximizar a duração?

A química do perfume é diretamente influenciada pela temperatura. No inverno, o frio atua como um travão à difusão (o rasto) por três razões principais:

  • Abrandamento da evaporação: As moléculas odorantes evaporam-se mais lentamente com o frio. O perfume fica “colado” à pele ou à roupa.
  • Secura da pele: A pele, mais seca no inverno, retém menos os óleos perfumados. Pense em hidratar (layering)!
  • Perceção olfativa: O frio tende a anestesiar ligeiramente o nosso nariz, diminuindo a perceção das notas de topo frescas.

É por isso que, no inverno, é preferível optar por notas de fundo intensas, notas ambaradas e concentrações elevadas (Eau de Parfum) para garantir um rasto duradouro.

1. Procura reconforto? (Notas Gourmand e Almiscaradas)

Se o inverno lhe pesa, opte por perfumes gourmand, orientais ou almiscarados. Envolvem como uma manta ou uma chávena quente, oferecendo uma bolha de suavidade.

  • Osiris – Flor de laranjeira delicadamente adocicada e amadeirada: um casulo luminoso. Descobrir
  • Florentina – Almíscar empolvado e íris: uma carícia suave na pele, sinónimo de frescura. Descobrir

2. Precisa de energia e impulso? (Amadeirados e Especiados)

O inverno abranda-o? Ouse os perfumes tónicos, amadeirados especiados ou cítricos quentes. Atuam como uma luz interior, ou um passeio revigorante na floresta.

  • Valkyrie – Tangerina vibrante sobre um fundo amadeirado e especiado: uma fragrância viva e audaciosa. Descobrir

3. Deseja uma sensualidade assumida? (Ambarados e Avanilhados)

O inverno é também uma estação de mistério, de desaceleração, de pele contra pele. Deixe falar o seu lado magnético com perfumes de forte personalidade e notas animais/ambaradas.

  • Vahina – Baunilha floral e solar, viciante sem ser adocicada. Ideal para um rasto envolvente. Descobrir

4. Ou simplesmente, deseja novidade?

A mudança de estação é o momento perfeito para se reinventar. Explore marcas confidenciais, famílias olfativas que ainda não conhece, ou ouse um teste às cegas para uma verdadeira surpresa.

O Coffret Découverte de Delacourte Paris permite explorar cinco perfumes em miniatura (5 x 2 ml) para encontrar o companheiro ideal do inverno.

O perfume de inverno, um aliado íntimo

Mais do que um acessório, o perfume torna-se no inverno um prolongamento da nossa intimidade, uma assinatura olfativa que nos acompanha no silêncio da estação fria.

Ouça as suas emoções. Escolha um perfume que aqueça, que estimule ou que acalme. E não se esqueça: deve sempre experimentar um perfume na pele antes de o adotar.

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Perfume de inverno: que notas olfativas escolher? Guia https://blog.delacourte.com/pt/escolher-perfume-para-o-inverno-2/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=escolher-perfume-para-o-inverno-2 Fri, 20 Mar 2026 08:54:49 +0000 https://blog.delacourte.com/escolher-perfume-para-o-inverno-2/ Perfume de inverno: que notas olfativas escolher para a estação fria? Muitas pessoas optam por mudar de perfume consoante as estações do ano. Adotam então o que se

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Perfume de inverno: que notas olfativas escolher para a estação fria?

Perfume de inverno: que notas olfativas escolher? Guia

Muitas pessoas optam por mudar de perfume consoante as estações do ano. Adotam então o que se pode chamar um «perfume parêntese», que permite fazer uma pausa olfativa e fazer evoluir a sua fragrância ao longo do ano. Eis algumas recomendações para escolher o seu perfume para o inverno.

Porque são as notas de fundo (amadeiradas, orientais) privilegiadas no inverno?

A dureza do clima e a descida das temperaturas atenuam a difusão dos aromas (o rasto). Por esta razão, é essencial optar por uma fragrância calorosa e reconfortante, que resista ao frio e que perdure nas roupas mais espessas (caxemira, lã).

A escolha recai naturalmente sobre as notas de fundo, pois evaporam-se lentamente e permitem fixar o perfume ao longo do tempo, garantindo uma excelente duração.

Em geral, a eau de parfum é privilegiada no inverno pela sua elevada concentração, mas certas eaux de toilette persistentes também podem ser adequadas.

As famílias olfativas ideais para a estação fria

Estas famílias olfativas são ricas em notas de fundo (as notas mais pesadas e quentes), criando um casulo olfativo protetor.

1. Os Perfumes Orientais e Ambarados

Os perfumes orientais ou ambarados são, por essência, sinónimos de calor e de mistério. São construídos em torno da baunilha, do incenso, da fava-tonca ou do âmbar, ideais para um rasto longo e sensual. Evocam a opulência dos tecidos de inverno (veludo, seda).

2. Os Amadeirados Calorosos

Os amadeirados sensuais (sândalo, cedro, patchouli) oferecem uma elegância intemporal e uma sensação de ancoragem. Combinam perfeitamente com matérias naturais como a lã ou a caxemira, prolongando a difusão do perfume no cachecol ou no casaco.

O oud e o vetiver fazem parte das madeiras mais recomendadas para uma duração máxima.

3. Os Perfumes Gourmand

Reconfortantes e envolventes, os perfumes gourmand (chocolate, mel, açúcar, café) atuam como uma chávena quente. São perfeitos se procura, acima de tudo, uma sensação de doçura e de intimidade.

O frio trava o rasto: Como maximizar a duração?

A química do perfume é diretamente influenciada pela temperatura. No inverno, o frio atua como um travão à difusão (o rasto) por três razões principais:
  • Abrandamento da evaporação: As moléculas odorantes evaporam-se mais lentamente com o frio. O perfume fica “colado” à pele ou à roupa.
  • Secura da pele: A pele, mais seca no inverno, retém menos os óleos perfumados. Pense em hidratar (layering)!
  • Perceção olfativa: O frio tende a anestesiar ligeiramente o nosso nariz, diminuindo a perceção das notas de topo frescas.
É por isso que, no inverno, é preferível optar por notas de fundo intensas, notas ambaradas e concentrações elevadas (Eau de Parfum) para garantir um rasto duradouro.

Ou simplesmente, deseja novidade?

A mudança de estação é o momento perfeito para se reinventar. Explore marcas confidenciais, famílias olfativas que ainda não conhece, ou ouse um teste às cegas para uma verdadeira surpresa. Ouça as suas emoções. Escolha um perfume que aqueça, que estimule ou que acalme. E não se esqueça: deve sempre experimentar um perfume na pele antes de o adotar.

Perfume Assinatura: a escolha do carisma e do mistério

Algumas pessoas não gostam de mudar de fragrância. Escolhem um perfume que simbolize o inverno (carácter marcante, carismático) como o seu perfume assinatura, aquele que define a sua identidade olfativa durante todo o ano.

Retrato da personalidade Inverno

Este perfil corresponde frequentemente às personalidades “Fogo” da nossa tipologia: pessoas extrovertidas, teatrais, que gostam de seduzir e de marcar a sua passagem. São urbanas, apreciam contrastes fortes (preto e branco) e texturas ricas como o veludo ou o tafetá. A sua escolha de perfume é frequentemente um oriental com rasto marcado ou uma flor branca capitosa (tuberosa).

Algumas recomendações de Perfumes Delacourte Paris para o inverno

As nossas criações são Eaux de Parfum concentradas, ideais para resistir ao frio:

  • Osiris – Flor de Laranjeira deliciosa, com notas calorosas de sésamo e de cedro.
  • Florentina – Almíscar empolvado e reconfortante, evocando uma caxemira sobre a pele (perfeito para o perfil Ar/Inverno suave).

Outros Perfumes Calorosos (Seleção)

  • L’Heure Bleue – Guerlain
  • Jicky – Guerlain
  • Allure – Chanel
  • Angel – Mugler
  • La Petite Robe Noire – Guerlain
  • Fleur de Cassie – Frédéric Malle
  • Black Orchid – Tom Ford
  • Opium – Yves Saint Laurent
  • Santal 33 – Le Labo
  • Velvet Rose & Oud – Jo Malone

Descubra todos os perfumes Delacourte Paris e experimente-os graças ao Coffret Découverte (5 Eaux de Parfum x 2 ml).

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L’Art et La Matière Guerlain: Perfumes de exceção https://blog.delacourte.com/pt/l-art-et-la-matiere-perfumes-de-excecao-2/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=l-art-et-la-matiere-perfumes-de-excecao-2 Fri, 20 Mar 2026 08:49:23 +0000 https://blog.delacourte.com/l-art-et-la-matiere-perfumes-de-excecao-2/ A Coleção L’Art et La Matière de Guerlain: Sublimar as essências raras A coleção Art et La Matière dedicou-se a fazer resplandecer flores sublimes e matérias icónicas de

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A Coleção L’Art et La Matière de Guerlain: Sublimar as essências raras

Composição artística de matérias-primas nobres (Baunilha, Mirra, Fava-tonca, Gardénia) que ilustra a coleção L'Art et La Matière de Guerlain.

A coleção Art et La Matière dedicou-se a fazer resplandecer flores sublimes e matérias icónicas de Guerlain.

Cada criação magnifica uma matéria-prima preciosa que desabrocha numa fragrância confidencial e sofisticada, vendida exclusivamente nas boutiques Guerlain.

As Obras-Primas da Coleção

Cruel Gardénia (Notas de gardénia)

A arte e a maneira de criar um rasto criminoso. Nem capitoso nem opulento, apenas sobredoseado em almíscares brancos, seduz definitivamente pela sua sensualidade assassina. Um gardénia solar que perturba e acaba por obcecar.

Rose Barbare (Rosa Búlgara)

Uma matéria de culto, a mais querida, a mais celebrada dos perfumistas, mas também a mais banalizada. Uma rosa negra, espinhosa, indomável, rebelde e sensual que apunhala em pleno coração.

Iris Ganache (Íris da Toscana)

Singular e refinado, derretido como um praliné, este acorde convida-nos a morder delicadamente no seu coração macio: bergamota, canela, íris, chocolate branco, baunilha, almíscar. Um perfume de gourmandise que faz crescer água na boca. Excelente sobre a pele, mesmo uma pele masculina.

Angélique Noire (Angélica de França e Baunilha de Madagáscar)

A história de uma flor sensata e tímida, que se dissipa e se liberta ao contacto da suave baunilha. O encontro chocante entre o amargor de um elixir da juventude e a doçura do perfume de baunilha. Um big bang entre as notas verdes, cruas e a baunilha.

Spiritueuse Double Vanille (Baunilha de Madagáscar)

Uma composição surpreendente onde cada matéria evoca a viagem, as longas travessias de barco, onde a madeira do casco se mistura com a das barricas de rum e as caixas de especiarias. Perfume de sedução e de luz, o ouro da baunilha deslumbra-nos.

Bois d’Arménie (Benjoim do Laos)

Deixar-se levar pelas volutas do papier d’Arménie, sucumbir ao feitiço do incenso, sentir o coração bater descompassado sob os olhares do pau-santo. Preguiçar sobre um tapete de benjoim e afundar-se sob a impetuosidade do patchouli. Toda a sensualidade picante de um oriental especiado amadeirado.

Tonka Impériale (Fava-tonca da Venezuela)

Uma fina mistura de odores balsâmicos ricos em facetas contrastantes, de aromas melados, de pão de especiarias, de amêndoas, de feno e de tabaco. Refinada, surpreendente, a fava-tonca «muito guerlinesca» marca os espíritos.

Cuir Beluga (Notas acoiradas suaves)

Como uma luz quente sobre a própria pele, o seu eflúvio anuncia a profundidade sofisticada da nota couro envolvida na volúpia do âmbar e da baunilha, heliotrópio e perpétua. Suave como uma pashmina. Um oriental que evoca a doçura da camurça branca.

Myrrhe & Délires (Mirra da Somália)

Nona criação para a prestigiosa coleção L’Art et La Matière. Esta coleção, dedicada às matérias fetiche de Guerlain, convida desta vez uma essência rara que nunca foi utilizada em nenhum dos perfumes da marca.

De facto, é muito raramente utilizada na perfumaria, esta matéria-prima surpreendente, misteriosa, possui muita profundidade, merecendo assim um papel de destaque numa criação. Sombria, misteriosa, a ideia foi fazê-la sorrir, iluminá-la, conferir-lhe O toque de ouro.

Como um sabor de delícias proibidos, esta matéria-prima exalante seduz pelos seus sortilégios e pelas suas facetas misteriosas: espumosa, vegetal, resinosa, aromática, untuosa, ambarada, fumada, balsâmica, com uma particularidade: a sua faceta de alcaçuz.

Todo o jogo consistiu em esbater os contornos de uma matéria-prima rica e radical. Um exercício difícil: o resultado: ínfimos pequenos toques frescos, frutados (nota de alperce e pera) e ternamente especiados (pimenta-preta e pimenta-rosa).

A inflexão seguinte é mais poderosa com um coração floral, íris e rosa, ao qual a mirra impõe uma postura e uma amplitude à medida do seu encanto essencial. Um diálogo no qual o incenso, o patchouli e uma ponta de alcaçuz se fundem com malícia. Uma fragrância que pode, como frequentemente nesta coleção, seduzir homens e mulheres.

Foco Matéria: A Divina Mirra

Essência sagrada por excelência, a mirra é conhecida desde tempos imemoriais; é mencionada em textos egípcios datados de 2000 anos antes de Cristo e nos da Bíblia. É também uma das oferendas, juntamente com o ouro e o incenso, dos Reis Magos ao Menino Jesus.

Principalmente utilizada nos rituais sagrados, nomeadamente nos embalsamamentos, continua a ser usada na farmacopeia, sob a forma de unguentos ou elixires como o kyphi.

Isto demonstra a sua importância simultaneamente histórica, benéfica e mística. As suas volutas odorantes são, juntamente com o incenso, a própria origem do perfume, do tempo em que os seus vapores mediadores selavam a aliança eterna entre os homens e o divino.

A sua resina, ou mais propriamente a sua goma-resina, é extraída da árvore da mirra, um arbusto espinhoso, com um a seis metros de altura, que cresce exclusivamente nas savanas áridas da Somália, da Etiópia e da península Arábica. No momento da sua floração estival, o tronco da árvore incha-se de nós que devem ser incisados para que a resina escorra sob a forma de pequenas lágrimas.

É nesse momento que são recolhidas para obter a sublime essência de mirra. Os habitantes da Somália fazem incisões na casca desta árvore para ativar o escoamento. Este suco oleoso solidifica-se em lágrimas de cor branco-amarelada que avermelhão ao secar.

A mitologia grega manteve o mito da transformação de Myrrha, a incestuosa, em árvore da mirra, antes de dar à luz Adónis.

Historial e origem

Da família das Burseráceas. A Mirra fora incluída na composição da poção dada a Cristo antes da crucificação, pois era reconhecida pelas suas propriedades cicatrizantes.

Propriedades e indicações principais

O óleo essencial de Mirra tem uma ação antissética particularmente eficaz. É tónico e estimulante, cicatrizante, anti-inflamatório e analgésico.

Muito eficaz para aliviar as dores de garganta e para tratar as afeções da boca (gengivites, estomatites, lesões causadas por próteses dentárias), bem como as da faringe, a Mirra é muito frequentemente utilizada nos produtos de cuidados dentários. É igualmente eficaz nas infeções das vias respiratórias.

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Água de Colónia: História, virtudes e guia completo https://blog.delacourte.com/pt/agua-de-colonia-3/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=agua-de-colonia-3 Fri, 20 Mar 2026 08:49:23 +0000 https://blog.delacourte.com/agua-de-colonia-3/ A Água de Colónia: História, virtudes e guia das fragrâncias frescas A Água de Colónia, utilizada originalmente para a higiene e a toilette, é um produto que proporciona

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A Água de Colónia: História, virtudes e guia das fragrâncias frescas

Fotografia de natureza-morta luminosa de um frasco de Água de Colónia de estilo antigo rodeado de citrinos (limão, bergamota) e alecrim, ilustrando a história da Eau Admirable e a sua frescura tónica.

A Água de Colónia, utilizada originalmente para a higiene e a toilette, é um produto que proporciona frescura e limpeza. Transmitida ao longo dos tempos, a Água de Colónia tonifica, devolve energia e vitalidade, e transforma a toilette num momento de prazer e bem-estar. Este produto de baixa concentração utiliza-se generosamente em todo o corpo.

História das Águas de Colónia

Foi no século XVIII que surgiu a primeira Água de Colónia. Jean-Paul Feminis comercializou pela primeira vez águas perfumadas a que se chamava então “aqua admirabilis coloniae” ou “Eau Admirable de Cologne”.

Após o seu falecimento, confiou o seu segredo ao sobrinho, Gian Maria Farina. Desde então, a Água de Colónia original continua a ser produzida pela oitava geração de descendentes de Gian Maria Farina, em Colónia.

Este sucesso fulminante levou outras empresas a lançarem-se no fabrico desta fragrância. Assim, a N.º 4711 de Muelhens, outra célebre Água de Colónia ainda comercializada nos dias de hoje, nasceu em 1792.

As virtudes da Água de Colónia

Na época, a Água de Colónia era composta por uma mistura de diversos citrinos dissolvidos em espírito de vinho (um álcool de elevado grau). As condições de higiene da época estavam longe de ser excelentes e, por conseguinte, este tipo de produto era considerado uma água milagrosa, ou uma panaceia (tal como a Eau de la Reine de Hongrie).

O seu carácter benéfico era tal que a cada frasco vendido se juntava um pequeno folheto indicando, em pormenor, os usos e os efeitos desta “água milagrosa”. Dizia-se, assim, que as pessoas mais idosas podiam ingerir 50 a 60 gotas de Água de Colónia misturada com espírito de vinho para travar, nomeadamente, um ritmo cardíaco demasiado acelerado.

Aconselhava-se igualmente respirar esta fragrância durante alguns minutos para curar as dores de cabeça.

Em 1727, a faculdade de medicina de Colónia chegou a reconhecer propriedades medicinais à “Eau Admirable” fabricada por Feminis.

A Água de Colónia na Corte Imperial (Napoleão e Eugénia)

Napoleão Bonaparte, grande utilizador desta Água de Colónia, deslizava um frasco nas suas botas antes de partir para a campanha. Conta-se que consumia em média 43 litros por mês, tanto para si como para perfumar os seus aposentos e o seu cavalo.

Mais tarde, foi levado a publicar uma ordenança pela qual exigia a divulgação das fórmulas de todos os medicamentos para ingestão. Para proteger o segredo da fórmula, a Água de Colónia passou então a ser prescrita apenas para uso externo e tornou-se o produto que conhecemos hoje.

A Imperatriz Eugénia sofria de horríveis enxaquecas e pediu a Pierre-François-Pascal Guerlain que lhe criasse uma Água de Colónia com muita frescura, mas muito calmante. Ele fê-lo com mestria, utilizando uma forte dose de petit grain, ou seja, o óleo essencial de flor de laranjeira (cf. Flores) com propriedades calmantes. A Imperatriz tinha o uso exclusivo antes de conceder a Pierre-François-Pascal Guerlain a autorização para a comercializar.

O produto obteve um grande sucesso e o perfumista recebeu, da parte de Napoleão III, o título de Fornecedor Oficial da Corte Imperial. Este soberbo frasco decorado com abelhas (as 69 abelhas simbolizando o Império) é vendido hoje em todo o mundo. Para Pierre-François-Pascal Guerlain, foi o início da fama, que perdurou ao longo de cinco gerações de perfumistas.

Composição e Estrutura da Água de Colónia

A estrutura tradicional da Água de Colónia é constituída por notas de topo tónicas: bergamota, limão, laranja, neroli, petit grain, tangerina, toranja, com por vezes alguns aromáticos, como a verbena e a flor de laranjeira.

  • A Água de Colónia Clássica: Composta por 99% de produtos naturais. Contém 2 a 6% de concentrado num álcool a 60°. As suas notas hesperidadas são inteiramente voláteis, proporcionando uma frescura intensa mas uma fraca tenacidade.
  • A Água de Colónia Moderna: Mantém a estrutura tradicional (citrinos, petit grain) mas beneficia de moléculas sintéticas para uma melhor tenacidade e difusão. Possui também mais notas de fundo (especiarias, madeiras, almíscares).

A Eau Fraîche: A evolução tenaz

A partir da segunda metade do século XX, surgem as Eaux Fraîches, inspiradas nas Águas de Colónia. Possuem notas de fundo ligeiramente chipradas (com musgos ou patchouli), amadeiradas (como o vetiver ou o cedro), bem como notas florais, e um acrescento da famosa “Hédione” da Firmenich.

Esta última contribuiu para prolongar as notas frescas com l’Eau Sauvage de Guerlain (Dior), depois l’Eau de Guerlain, l’Eau de Rochas etc. Estas Eaux Fraîches tornam-se, graças à sua construção mais facetada, muito mais tenazes e difusivas.

As Águas de Colónia modernas e tendências

Assistimos atualmente à chegada de Águas de Colónia ultramodernas, transparentes, refrescantes, dotadas de um rasto almiscarado. Entre elas figura CK One de Calvin Klein. Com o seu ar de Água de Colónia, acrescenta um acorde tónico, uma nota de chá muito específica emprestada da Eau de Toilette da fragrância “Thé de Bulgari”.

Outras Eaux merecem destaque no mesmo estilo, como a soberba Eau de Cologne de Thierry Mugler, as Eaux de Cologne Dior, ou ainda “Cologne d’Allure Homme Sport”, Eau de Cologne du Parfumeur ou Cuvée Secrète de Guerlain. Existem igualmente fragrâncias muito frescas como na linha “Aquas Allegorias”.

Comparação com as outras concentrações

A perfumaria reúne igualmente muitas outras fragrâncias além da Água de Colónia, cujo grau de concentração em álcool varia, tais como:

  • O Extrato de Perfume: Possui volume e presença. Bastam algumas gotas. Aplica-se diretamente sobre a pele, para uma duração de um dia inteiro. Os Extratos em geral contêm 20% a 40% de concentrado, num álcool a 98° vol.
  • A Eau de Parfum: Também chamada “Esprit de Parfum”, é um excelente compromisso entre rasto e tenacidade. Compreende 7% a 30% de concentrado, num álcool a 90° vol. As fragrâncias da Delacourte Paris são em Eau de Parfum (15% a 20%).
  • A Eau de Toilette: Mais fresca e mais rica em notas de topo de difusão rápida, contém 6% a 20% de concentrado, num álcool a 80° vol.

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Tonka Impériale Guerlain: Segredos de criação e Fava-tonca https://blog.delacourte.com/pt/tonka-imperiale-5/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=tonka-imperiale-5 Fri, 20 Mar 2026 08:49:22 +0000 https://blog.delacourte.com/tonka-imperiale-5/ Tonka Impériale de Guerlain: O hino à fava-tonca Tonka Impériale é o sétimo perfume da coleção «Art et Matière», um perfume criado em torno de uma das matérias-primas

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Tonka Impériale de Guerlain: O hino à fava-tonca

Tonka Impériale Guerlain: Segredos de criação e Fava-tonca

Tonka Impériale é o sétimo perfume da coleção «Art et Matière», um perfume criado em torno de uma das matérias-primas emblemáticas de Guerlain pertencente à Guerlinade: a incrível fava-tonca.

A fava-tonca: uma pequena semente mágica

A fava-tonca encontra-se na América do Sul e particularmente na Venezuela, na Guiana e no Brasil. Provém do fruto de uma árvore tropical chamada Dipteryx odorata. Também é chamada coumarouna, coumaru ou sarrapia.

Esta árvore cresce ao longo das margens dos rios amazónicos. Com 20 a 30 m de altura, tem um tronco de 50 a 70 cm de diâmetro, grandes folhas que lembram as da nogueira e flores rosa-violeta bastante perfumadas assim que os frutos estão maduros.

Os seus frutos têm a forma de uma grande amêndoa e contêm cada um uma semente única negra, oval, oblonga, brilhante, que se enruga ao secar; é então que começa a exalar o seu perfume e que a sua fragrância se vai intensificar.

A colheita e o tratamento (O Sappapiero)

A colheita tem lugar em maio. Os frutos maduros caídos no solo são recolhidos. São secos durante um ano e a casca é partida com uma pedra ou com um martelo para extrair as sementes.

As favas recuperadas são depois secas ao sol e em seguida imersas em recipientes de álcool forte a 65° durante 24 horas. São depois secas ao ar livre, o que provoca uma bela geada branca, resultante do aparecimento de cristais ou pó branco de cumarina. Uma árvore produz entre 15 e 75 kg de frutos por ano. A pessoa que colhe as favas-tonca chama-se sappapiero.

As múltiplas utilizações da fava

  • Na origem: estas sementes eram reduzidas a pó vendido em saquetas para colocar nos armários entre as pilhas de roupa.
  • Em perfumaria: é a fava que é tratada por extração com solventes voláteis para obter o absoluto de fava-tonca.
  • Na cozinha: a fava pode também ser ralada tal como a noz-moscada para ser utilizada em pastelaria associada ao chocolate, ao café, às sobremesas (panna cotta); pode também ser associada a notas salgadas. Atenção ao utilizá-la, tal como a noz-moscada, em quantidades razoáveis pois a fava-tonca pode ser um pouco perigosa em doses elevadas.
  • Para aromatizar o tabaco: o tabaco de rapé e também o tabaco para cachimbo «Amsterdamer» (uma prática atualmente proibida em França e nos Estados Unidos).
  • Dica pessoal: gosto de colocar favas-tonca no meu carro junto ao aquecimento; é uma delícia!

Perfil olfativo e química: a cumarina

É uma composição odorífera em si mesma, muito rica em facetas: amadeirada, balsâmica, abaunilhada, amendoada, pistácio, tabaco, feno, melada.

A molécula principal desta matéria-prima chama-se cumarina. A fava-tonca contém 46% de cumarina que é olfativamente muito amendoada e se assemelha de forma surpreendente ao cheiro dos pequenos potes de cola Cléopâtre da nossa infância. A síntese da cumarina foi desenvolvida em 1868 e utilizada pela primeira vez em Jicky com o linalol e a etil vanilina.

A criação de Tonka Impériale

Tonka é uma construção surpreendente que alterna entre o quente e o frio, entre a frescura do alecrim (nota de topo aromática fulgurante) e a redondeza gourmand e envolvente da fava-tonca: uma matéria-prima cara a Guerlain e a mim própria.

Desenvolvi-o com Delphine Jelk, hoje perfumista em Guerlain, com quem criei também La Petite Robe Noire, entre outros.

A ideia criadora: uma homenagem a Jicky

A ideia era acentuar as facetas naturais da fava-tonca; o perfume é portanto amadeirado, amendoado, melado-balsâmico, tabacado e gourmand: entre pão de especiarias e chocolate. Este contraste bastante surpreendente é uma homenagem ao perfume Jicky. A lavanda sendo substituída pelo alecrim e a parte oriental substituída pela fava-tonca associada a notas balsâmicas e amadeiradas.

O seu perfume é percecionado tanto como masculino pela sua faceta aromática e amadeirada e feminino pela redondeza da fava-tonca e das notas balsâmicas. Tal como Jicky, Tonka Impériale é contrastado, ambivalente. Elegante e suave, dinâmico, mas envolvente, um perfume que gosta de semear a dúvida. Adoro-o!

Tonka Impériale está disponível nas 30 boutiques Guerlain em todo o mundo e nas doze boutiques parisienses e nos aeroportos.

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Shalimar de Guerlain: História de um perfume lendário https://blog.delacourte.com/pt/shalimar-guerlain-historia-perfume-lendario-2/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=shalimar-guerlain-historia-perfume-lendario-2 Fri, 20 Mar 2026 08:49:22 +0000 https://blog.delacourte.com/shalimar-guerlain-historia-perfume-lendario-2/ Shalimar de Guerlain: História de uma lenda perfumada Faço o que quero e quero Shalimar! Sim, usei meias pretas. Sim, passo por entre os punhais. Não procure, um

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Shalimar de Guerlain: História de uma lenda perfumada

Frasco icónico de Shalimar com a sua tampa azul em leque, apresentado com vagens de baunilha e uma evocação do Taj Mahal.

Faço o que quero e quero Shalimar!
Sim, usei meias pretas.
Sim, passo por entre os punhais.
Não procure, um homem segue-me, assim que anoitece.
Gosto dos homens um pouco hussardos, um pouco jaguares.
Ares de czares, alguns milhares de milhões.
Um homem segue-me.
Será por mim ou por Shalimar?

1925, a exposição internacional das Artes Decorativas realiza-se no salão do Grand Palais em Paris e escolhe colocar em primeiro plano a perfumaria. Todas as noites, a fonte de Lalique resplandece com as suas lantejoulas de cristal.

Este novo estilo, por vezes “vistoso”, valoriza as matérias-primas mais preciosas: marfim, cristal, ébano de Macassar, galuchat, madrepérola. O mobiliário clássico já não está na moda, fala-se de arte decorativa. De toda a Europa, os últimos soberanos e ricos industriais afluem para admirar Paris, a cidade dos esplendores e do luxo.

A casa Guerlain escolhe apresentar pela primeira vez “a mais recente criação”: Shalimar, frasco criado por Raymond Guerlain em colaboração com Baccarat (que recebe, aliás, o primeiro prémio). A fragrância é criada por Jacques Guerlain.

1925, como dizia Hemingway “Paris é uma festa”, as mulheres são cada vez mais belas, elegantes e sorridentes. Paira em Paris um ar de liberdade e de loucura, é a época da proibição, período conturbado e perturbador, época do jazz hot e do charleston. É também o nascimento de um mito: Shalimar vai encarnar perfeitamente a mulher em toda a sua feminilidade e na sua liberdade.

O Frasco: Uma revolução técnica

As linhas curvas do seu frasco, desenhado por Raymond Guerlain, delineiam os tanques dos jardins de Shalimar, enquanto a sua tampa azul, em forma de leque, evoca os fastos de um Oriente precioso e refinado. A tampa azul, cor de safira, é uma verdadeira revolução no mundo da perfumaria; Shalimar é o primeiro frasco com tampa colorida.

A anedota do mercúrio: Inicialmente, para obter esta tampa azul, esta era perfurada, para que o mercúrio (muito perigoso) pudesse penetrar no vidro. Rapidamente, as cristalarias Baccarat encontram um sistema, ainda secreto, para obter uma tampa azul sem que fosse necessário perfurá-la.

Outra proeza técnica, é o primeiro frasco com pé na história da perfumaria. O rótulo foi inspirado por esses desenhos gravados que pude observar nas paredes brancas imaculadas do Taj Mahal. Aliás, a forma do rótulo inspirou a forma do frasco da eau de toilette e da eau de parfum.

A Inspiração: O templo do amor

O seu nome é o do encantador e maravilhoso jardim indiano: os jardins de Shalimar no norte da Índia, no Paquistão, em Lahore (o nome Shalimar significa “templo do amor” em sânscrito). É também neste jardim fabuloso que vão florescer os amores da princesa Mumtaz Mahal (que significa luz do palácio) e do Shah Jahan.

Quando esta se extingue, ao dar à luz o seu filho, o Shah Jahan, “inconsolável”, manda construir-lhe um mausoléu em mármore branco cinzelado como renda: verdadeiro esplendor que tive a sorte de visitar.

A Fragrância: O primeiro oriental

Em 1921, Justin du Pont, colaborador da Casa, apresenta a Jacques Guerlain uma amostra de baunilha sintética: a etilvanilina (10 vezes mais potente que a vanilina), que este associa à tintura de baunilha (álcool no qual as vagens de baunilha vão macerar o mais tempo possível, no mínimo 3 semanas).

Este trabalha num esquema Jicky: fecha-se no seu laboratório, experimenta todas as combinações possíveis, retira as notas aromáticas, volta a acrescentar um pouco, substitui por 30% de notas cítricas, reforça as notas orientais. Após inúmeras tentativas, Jacques sai do seu laboratório e diz: “Creio que encontrei o equilíbrio!”. O seu génio exprimiu-se mais uma vez: Shalimar nasceu!

É o perfume mítico da família dos orientais, os seus eflúvios envolventes fazem dele um perfume “transgeracional” que seduz as mulheres mais jovens. Uma overdose de notas de citrinos (e sobretudo de bergamota), funde-se rapidamente em notas envolventes (rosa, jasmim, íris, notas amadeiradas, fava-tonca, notas balsâmicas).

Uma delícia voluptuosa construída em torno da baunilha. No fundo profundo, já reparou na sua nota de couro muito sensual?

A Evolução da gama

Os anos passam e Shalimar evolui com o seu tempo. Aquando do seu lançamento em 1925, é proposto em eau de toilette, complemento indispensável do extrato de perfume. Em 1937, a moda são as águas de colónia. Guerlain propõe então a eau de Cologne Shalimar, num magnífico frasco dito “relógio”.

Em 1986, a empresa Pochet & Du Courval produz um frasco para o Parfum de Toilette (hoje em dia, diz-se eau de parfum). Guerlain foi uma das primeiras casas a propor produtos complementares como a laca para cabelo Shalimar, a Gomina Shalimar, o Stilboïde Shalimar e, claro, um creme para o corpo, um leite, talco, sais de banho.

O Mito: De França à América

Perfume da tentação, do desejo, perfume que dá vontade de se aproximar, Shalimar conhece primeiro um grande sucesso nos Estados Unidos. No paquete Normandie, as passageiras americanas entusiasmaram-se com este perfume usado por Madame Guerlain, a esposa de Raymond Guerlain.

Os homens só reparam nela, na sua beleza e no seu perfume que faz virar cabeças, as mulheres ficaram chocadas e ciumentas, um escândalo!

Telegrama de Nova Iorque: só se fala de Shalimar. Alguns americanos pensam mesmo que se trata de uma nova empresa de perfumes! Mais do que um sucesso, uma avalanche. Toda Nova Iorque só quer Shalimar de Shalimar. Uma lenda nascera e este perfume vai contribuir enormemente para o sucesso da casa no entre-guerras nos Estados Unidos.

Shalimar vai mesmo inspirar uma canção na moda naqueles anos: “Numa pequena rua de Singapura, flutua no ar um delicioso perfume de Shalimar”.

Uma alquimia de pele

Conhecer Shalimar é coisa impossível, ele não se deixa decifrar tão facilmente. Encanta aquela que o usa, dando-lhe o sentimento de que é única. Sem falsos pretextos, ou se é Shalimar ou não se é! Recusa a mornidão, o compromisso não lhe convém, a alquimia acontece ou não.

Em cada pele, vai exprimir-se de forma diferente, a ponto de, em certas pessoas, por vezes ter dificuldade em reconhecê-lo imediatamente!

Há 25 anos que sinto mulheres que usam Shalimar maravilhosamente. Algumas eram loiras, outras morenas, ou ruivas. Cheguei mesmo a senti-lo em homens com espanto, mas com encantamento. Este perfume é verdadeiramente um enorme sucesso, sobretudo em França e nos EUA: indestronável.

A Eau de Shalimar, depurada, uma guloseima acidulada, sem as notas de couro, animais e misteriosas, “funciona bem na minha pele”. Infelizmente, Shalimar não me ama! Que pena.

Publicidade e Legado

Os numerosos visuais do perfume “à francesa” são por vezes verdadeiras obras-primas. Elise Darcy, uma grande ilustradora, explora as diferentes facetas do perfume, tanto pelos seus lados femininos como pela sua inspiração vinda do Oriente. No imaginário americano, as campanhas publicitárias deixarão a ideia de um perfume chique.

Recordemos que os GI’s, quando participaram na libertação de França em 1945, fizeram fila na Guerlain para levar o espírito de França nas suas bagagens: algumas essências de Shalimar.

A história em números

  • 19 anos de felicidade entre Mumtaz Mahal e Shah Jahan
  • 14 filhos nascidos da sua união
  • 1593/1631: data de nascimento e morte de Mumtaz Mahal
  • 410 fontes nos jardins de Shalimar
  • 5 cascatas
  • 22 anos de construção para o Taj Mahal
  • 20000 operários para construir o Taj Mahal
  • 400 kg de ouro foram utilizados para a construção do Taj Mahal. Pedras preciosas, incrustadas no mármore, foram infelizmente depois pilhadas pelos ingleses
  • 2 anos durante os quais o Shah Jahan se absteve de todo o entretenimento e de cerimónias oficiais para chorar a sua amada
  • 7 anos de encarceramento de Shah Jahan, pelo seu filho Aurangzeb, porque enlouquecia de amor ou simplesmente enlouquecia
  • 1 outro mausoléu que Shah Jahan queria mandar construir idêntico, em mármore negro, mas sem sucesso pois, encerrado no forte de Agra, mesmo em frente, de onde podia ver repousar a sua amada

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A Água de Colónia: De Remédio Milagroso a Perfume de Imperador https://blog.delacourte.com/pt/agua-de-colonia-2/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=agua-de-colonia-2 Fri, 20 Mar 2026 08:08:50 +0000 https://blog.delacourte.com/agua-de-colonia-2/ A Água de Colónia: De Remédio Milagroso a Perfume de Imperador Na Idade Média, reconhece-se que o perfume pode curar. Nesta época, nos mosteiros, são fabricados graças ao

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A Água de Colónia: De Remédio Milagroso a Perfume de Imperador

Frasco com abelhas e citrinos frescos, ilustrando a história e a composição da Água de Colónia em perfumaria.

Na Idade Média, reconhece-se que o perfume pode curar. Nesta época, nos mosteiros, são fabricados graças ao alambique perfumes medicinais, as Aqua Mirabilis. É apenas no século XIV que a utilização do álcool no perfume se torna mais corrente.

As Origens Medicinais: A Água da Hungria

A Água da Rainha da Hungria, datada de 1370, é uma das primeiras preparações alcoólicas que destacava as suas virtudes medicinais. Nessa época, estas poções curavam os miasmas e eram ingeridas. As condições de higiene estavam longe de ser excelentes e, por conseguinte, este tipo de produto era uma espécie de água milagrosa, de água perfumada, além disso dotada de um odor agradável.

Este destilado ou alcoólato era à base de alecrim, sálvia e manjerona, associados ao cedro e à erva-cidreira.

Esta Água da Hungria era um medicamento precioso que se bebia e que também se aplicava em fricções no corpo, para uma purificação interna e externa.

O Renascimento e a Corte de Versalhes

A arte do perfume prospera durante o período do Renascimento, nomeadamente graças ao perfumista pessoal de Catarina de Médicis (1519-1589), René le Florentin. Luís XIV (1643-1715), o rei mais perfumado da História, preferia esfregar o corpo com toalhas perfumadas em vez de tomar banho.

Teve a vontade de promover a perfumaria francesa; é sob o seu reinado que os luveiros recebem autorização para se proclamarem perfumistas. Sob o reinado de Luís XV (1710-1774), a Corte de Versalhes será apelidada de Corte Perfumada e a Água de Colónia fará a sua aparição.

O nascimento da Água de Colónia

É uma história que começa há três séculos e tem início em Santa Maria Maggiore, na Lombardia, a norte de Milão. Um jovem italiano, Paolo Feminis, inventou em 1695 a receita da Aqua Mirabilis, talvez inspirado pelo acorde cítrico das religiosas do convento de Santa Maria Novella, a Acqua di Regina. Terá transmitido a sua receita ao sobrinho Jean Antoine Farina, que se estabelecera em Colónia em 1709.

Mas outra versão, dada por Roger & Gallet, conta que Giovanni Paolo Feminis teria inventado sem ter sido inspirado pela Aqua di Regina. Ou ainda, que teria sido inspirado por uma receita confiada por um oficial inglês regressado das Índias; transmitirá a sua receita em 1734 ao genro Jean Antoine Farina. Em resumo, a história desta Água de Colónia é complexa e confusa, e a lenda continua o seu caminho.

Hoje, a Água de Colónia original continua a ser produzida pela oitava geração dos descendentes de Farina em Colónia; diz-se que ele conservava a sua Água de Colónia em barris de madeira de cedro.

Um sucesso mundial e imitações

Cem anos após a criação da Água de Colónia, esta composição viu-se em concorrência com uma quantidade inumerável de imitações que a família conseguiu fazer proibir após longos processos judiciais. As ações judiciais duraram, contudo, cerca de 80 anos e isto teve como consequência a generalização do termo Água de Colónia.

O sucesso foi incrível e outras firmas iriam lançar-se no fabrico. Outra célebre Água de Colónia, datada de 1792, é ainda vendida hoje: trata-se da N°4711 de Muelhens, batizada com o número da rua de Colónia onde era fabricada no século XVIII.

A Água de Colónia como medicamento

A Água de Colónia foi, antes de mais, um medicamento, uma espécie de remédio milagroso. Na origem, o carácter benéfico da Água de Colónia é tal que se junta a cada frasco vendido um pequeno folheto indicando os usos e os efeitos desta água miraculosa.

  • Os jovens podem engolir 20 a 30 gotas perfumadas desta Água de Colónia, misturadas com água ou com espírito de vinho.
  • As pessoas mais idosas poderão engolir 50 a 60 gotas para abrandar um ritmo cardíaco demasiado acelerado.
  • Indica-se igualmente que a Água de Colónia cura as dores de cabeça quando se respira esta fragrância durante alguns minutos.

A paixão de Napoleão Bonaparte

Napoleão Bonaparte (1769-1821), fanático desta Água de Colónia, deslizava um frasco muito comprido e fino nas suas botas antes de partir para a campanha. Conta-se que consumia em média 43 litros de Água de Colónia por mês. Muito sensível aos odores, apreciava os seus eflúvios para perfumar os seus aposentos e o seu cavalo.

O Imperador consumia-a sem moderação; afirma-se que bebia algumas gotas antes de cada batalha para ganhar energia. Mais tarde, foi levado a publicar uma ordenança pela qual exigia a divulgação das fórmulas de todos os medicamentos ingeridos. Esta ordenança, prejudicando o segredo da fórmula, levou a que esta fosse então prescrita para uso externo, tornando-se o produto que hoje conhecemos.

A Eau de Cologne Impériale de Guerlain

Nascido em 1798 em Abbeville, Pierre-François-Pascal Guerlain começou como caixeiro na Maison Briard, que fabricava e vendia perfumes. Muito rapidamente, é contratado pela Maison Dissey et Piver, onde adquire as noções fundamentais em matéria de criação de perfumes. Instala-se em Paris em 1828, no 42 da rue de Rivoli.

Se, no início, a maioria dos produtos é importada de Inglaterra, lança-se rapidamente na criação de Águas de Colónia e de preparações termais.

O remédio da Imperatriz Eugénia

A Imperatriz Eugénia sofria de horríveis enxaquecas e pediu a Pierre-François-Pascal Guerlain que lhe criasse uma Água de Colónia por medida, com muita frescura mas muito calmante. O que ele fez com mestria, utilizando uma sobredose de petit grain, que é o óleo essencial da essência da folha da laranjeira, de neroli e de flor de laranjeira, com propriedades calmantes.

Utilizou esta Eau de Cologne Impériale durante alguns anos para seu uso pessoal.

Pierre-François-Pascal Guerlain pediu autorização para a comercializar, o que ela aceitou. Por ocasião desta grande conquista olfativa, recebeu de Napoleão III o título de Fornecedor Oficial da Corte Imperial. Vende-se no frasco com abelhas, um magnífico frasco ainda vendido hoje nas suas boutiques e pontos de venda em todo o mundo.

69 abelhas é um símbolo do Império; 69 é o número que correspondia ao número de províncias nessa época.

Para Pierre-François-Pascal Guerlain, foi o início da notoriedade que deu origem a uma linhagem de 5 gerações de perfumistas. Inicialmente, Pierre-François-Pascal Guerlain tentou vender os seus perfumes nos grandes armazéns da época, mas, mal recebido, decidiu criar as suas próprias perfumarias. Criou também muitas criações por medida e apenas criou Águas de Colónia, pois a eau de toilette ainda não existia.

Da Colónia Clássica às Águas Frescas Modernas

A estrutura tradicional da Água de Colónia é constituída por notas de topo tónicas: bergamota, limão, laranja, neroli, petit grain, tangerina, toranja, por vezes alguns aromáticos como a verbena e a flor de laranjeira.

A Água de Colónia, com 4 a 6% de concentração, é atualmente adicionada de notas de síntese para uma melhor tenacidade. As verdadeiras Águas de Colónia, como a Eau de Cologne Impériale, são constituídas por 99% de produtos naturais; é aliás por isso que este produto tem muito pouca tenacidade. No mesmo registo, encontram-se a Eau du Coq e a Eau de Fleurs de Cédrat de Guerlain.

O advento das Águas Frescas

A partir da segunda metade do século XX, as Águas de Colónia inspiram as Águas Frescas. Estas últimas possuem notas de fundo ligeiramente chipre (musgo aromático, patchouli) e amadeiradas (vetiver, cedro) e notas florais.

A adição da famosa hediona da Firmenich contribuiu para prolongar as notas frescas. Estas Águas Frescas tornam-se assim, pela sua construção mais facetada, mais tenazes e difusivas.

A Colónia Moderna

Assistimos depois à chegada de Águas de Colónia ultramodernas, transparentes, refrescantes, com rasto almiscarado. CK One de Calvin Klein tem um ar de Água de Colónia adicionada do seu acorde tónico de uma nota de chá muito específica, emprestada à Eau de Toilette da fragrância Thé de Bulgari. Esta Água de Colónia moderna é para homem ou para mulher, como todas as Águas de Colónia.

Encontramos igualmente, no mesmo estilo, a soberba Eau de Cologne de Thierry Mugler, as Eaux de Cologne Dior, La Cologne Chanel e Cologne d’Allure Homme Sport. L’Eau de l’Artisan Parfumeur, Eau d’Orange Verte de Hermès ou ainda as fragrâncias muito frescas como na linha Aqua Allégoria de Guerlain são mais Águas Frescas ou Eaux de Toilette com a tenacidade de Eaux de Parfum.

Na Guerlain, a Cologne du 68 (no seu rótulo estão listados 68 componentes) era uma homenagem ao prestigioso endereço dos Champs-Elysées, criada em colaboração com Sophie Labbé, da IFF.

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A Íris Pallida: O Ouro Azul e Empolvado da Perfumaria https://blog.delacourte.com/pt/iris-pallida-perfume-materia-prima-2/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=iris-pallida-perfume-materia-prima-2 Fri, 20 Mar 2026 08:07:18 +0000 https://blog.delacourte.com/iris-pallida-perfume-materia-prima-2/ A Íris Pallida: O Ouro Azul da Perfumaria A íris é uma das minhas matérias-primas favoritas e uma das matérias-primas mais caras da perfumaria. Está presente em grande

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A Íris Pallida: O Ouro Azul da Perfumaria

Rizomas de íris secos e manteiga de íris sobre mármore, ilustrando a matéria-prima mais cara da perfumaria.

A íris é uma das minhas matérias-primas favoritas e uma das matérias-primas mais caras da perfumaria. Está presente em grande quantidade em l’Heure Bleue, que adoro, e em Florentina, que criei.

Botânica e Origens

A íris pertence à família das iridáceas, é originária do Extremo Oriente e os principais produtores encontram-se em Itália, em Marrocos e na China. Existem duas variedades botânicas: a íris Pallida e a íris Germanica.

As flores de íris possuem um perfume delicioso; tive a oportunidade de sentir algumas íris que difundiam uma nota achocolatada. Quase ao preço do ouro, a íris esconde o seu tesouro olfativo nas suas raízes, frequentemente chamadas rizomas ou caules.

A nota empolvada

Importa salientar que a nota empolvada se distingue da nota baunilhada, muito gustativa. A origem da designação da nota empolvada remonta aos primeiros pós de arroz, que na época eram perfumados com íris; as luvas eram igualmente perfumadas com esta fragrância.

Sinto a nota empolvada como uma nota bastante seca, ligeiramente amadeirada, com acentos de violeta. Se fosse uma cor, seria um tom pastel. É uma nota muito evanescente, difícil de apreender, aérea.

A Íris Pallida: A paciência da excelência

A íris Pallida, originária de Itália, é designada rizoma, mas de forma mais precisa pode dizer-se que se trata de um caule subterrâneo no qual se podem formar raízes ditas adventícias. Em Itália, a íris é cultivada em terrenos escarpados, ingratos, pedregosos e mal expostos. A inclinação exclui a possibilidade de mecanizar a cultura. A plantação faz-se de meados de setembro a meados de outubro.

O processo de 6 anos

Estes caules desprovidos de odor serão em seguida limpos, secos e colhidos com 3 a 4 anos de idade. Com efeito, são necessários pelo menos 3 anos antes que a íris revele o seu perfume (a colheita ocorre no 3.º ano após a plantação, entre meados de julho e meados de agosto).

Os caules de íris secretarão pacientemente a irona, constituinte maioritário do perfume de íris. São depois armazenados em sacos durante mais três anos, até à dessecação completa e ao aparecimento do odor majestoso. São portanto necessários seis anos para que a íris Pallida entregue a sua obra-prima olfativa.

Em seguida, os rizomas ou caules são reduzidos a partículas finas e tratados por destilação, obtendo-se então uma pasta denominada manteiga de íris, cuja maceração num solvente orgânico e subsequente extração conduzem finalmente ao absoluto de íris.

A opinião da especialista

Aprecio apenas a íris Pallida; as outras variedades e terroirs não possuem a elegância da de Florença. Gostaria de saber quem teve a ideia ou a intuição de semear aquela pequena semente que deu origem à raiz de íris, de esperar 6 anos para finalmente tratar estes rizomas tão desgraciosos e obter por fim esta maravilha que é o absoluto de íris.

História e Mitologia

Tudo nela é perfeição. A sua flor é um esplendor, o seu porte é altivo, majestoso e soberano. Emblema da realeza, Fleur de Louys, em homenagem a Luís, o Piedoso, tornou-se Fleur de Lys por uma confusão de linguagem. Na mitologia grega, a íris era considerada a mensageira dos deuses. Iris significa arco-íris em grego.

Descrição Olfativa

A íris é, para os perfumistas, a encarnação do luxo, pela beleza e pela pureza de cada uma das suas facetas. Num perfume, exala um calor radiante, único, simultaneamente potente e controlado.

A sua fragrância possui múltiplas facetas, com notas deliciosas entre nota de violeta e nota de mimosa, acentos amadeirados, nota ligeira de framboesa e nota de cenoura. Aliás, na perfumaria, para substituir ou reforçar o efeito da íris, adiciona-se frequentemente a essência de semente de cenoura.

A Íris Germanica e as técnicas de extração

Em Marrocos, a variedade Germanica é mais robusta e mais simples de cultivar, mas a fragrância é menos sofisticada. Os rizomas ou caules são arrancados e limpos da terra. Existem em seguida dois tratamentos possíveis:

  • Rizomas descascados: são pelados manualmente e depois lavados. Esta etapa é longa e fastidiosa; uma pessoa trata 40 kg de rizomas por dia.
  • Rizomas não descascados: são cortados em fatias. Os rizomas são depois secos durante 10 dias e armazenados em hangares sob condições precisas de ventilação e humidade durante 3 anos.

É durante a secagem ao ar que a irona, o constituinte mais nobre e caro da íris, se desenvolve. Os rizomas requerem portanto 6 anos de tratamento antes de atingirem a sua qualidade ótima.

Os produtos acabados (Manteiga vs Absoluto)

Após 6 anos, os rizomas são reduzidos a pó. Três tratamentos são então possíveis:

  • Absoluto de Íris: Destilação a vapor de água do pó de íris, que origina uma pasta cerosa e branca, ou concreto, ou manteiga (10 a 35% de irona), seguida de uma destilação sob vácuo com absoluto das ceras (65% a 85% de irona).
  • Pó de Íris Resinoide: Pó de íris tratado por extração com solventes voláteis (produto viscoso contendo 1 a 3% de irona).
  • Tintura: Pó de íris tratado por tintura ou infusão de íris contendo quantidades ínfimas de irona.

Os dois constituintes principais da íris são a irona, constituinte muito caro que representa a qualidade da íris, e o ácido mirístico. Pode utilizar-se a irona isoladamente, que constitui o produto de um luxo absoluto. A manteiga de íris pode ser calibrada quanto ao seu teor em ironas (8%, por exemplo), adicionando-lhe ácido mirístico natural contendo irona, proveniente do próprio processo de obtenção do absoluto.

Os perfumes em que a íris desempenha um papel importante

  • Iris Pallida L’Artisan Parfumeur
  • Infusion d’iris Prada
  • Iris Ganache Guerlain
  • Homme Dior
  • L’Heure Bleue Guerlain
  • Après l’Ondée Guerlain
  • Florentina Delacourte Paris
  • Insolence Guerlain por Maurice Roucel e Sylvaine Delacourte

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Perfumes Solares: Ylang, Tiaré, Monoï e Salicilatos https://blog.delacourte.com/pt/notas-solares-2/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=notas-solares-2 Fri, 20 Mar 2026 08:07:18 +0000 https://blog.delacourte.com/notas-solares-2/ Os Perfumes Solares: Salicilatos, Flores Brancas e Monoï Difícil para mim regressar depois de umas boas férias ao sol. Nostálgica desses aromas, envio-lhe por este artigo alguns raios

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Os Perfumes Solares: Salicilatos, Flores Brancas e Monoï

Flores de tiaré, ylang-ylang e coco na praia, ilustrando as notas solares e exóticas em perfumaria.

Difícil para mim regressar depois de umas boas férias ao sol. Nostálgica desses aromas, envio-lhe por este artigo alguns raios de sol.

A História da nota solar (Ambre Solaire)

Na Europa, a referência olfativa associada às notas ensolaradas é o Ambre Solaire da L’Oréal, construído em torno dos salicilatos de benzilo, enquanto os Estados Unidos têm como referência o protetor solar Hawaïan Tropic, cujo perfume muito opulento é construído em torno de notas de coco.

O segredo: Os salicilatos de benzilo

A L’Oréal, no seu Ambre Solaire, utilizava o salicilato de benzilo pelas suas propriedades de filtro solar. Ao longo da sua investigação, a empresa acabou por desenvolver filtros solares muito mais eficazes e suprimiu este antigo filtro. A consequência foi uma queda importante nas vendas do Ambre Solaire.

A fórmula foi então retrabalhada para reintegrar o famoso salicilato de benzilo, já não como filtro solar, mas pelo seu efeito olfativo, que se tinha tornado uma referência solar para o consumidor. Em resumo, era necessário que cheirasse a areia e a pele aquecida pelo sol. São moléculas sintéticas: o benzilo amilo e cis 3 hexenilo.

As Flores Brancas: Rainhas do Sol

O Jasmim

  • O Jasmin Grandiflorum que pode vir de Grasse, do Egito, da Índia ou de Itália.
  • O Jasmin Sambac da Índia, com um aroma mais «alaranjado e solar».

Para colher esta matéria-prima natural, as colhedoras têm de se levantar muito cedo. As mais hábeis recolhem 500 a 700 kg de flores por hora e para obter 1 kg de concreto são necessárias 10 000 flores.

A Tuberosa

A tuberosa é exótica e narcótica, encontra-se no sul da Índia e no Egito. Existe também em muito pequena quantidade em Grasse. Na Índia, é colhida todas as manhãs de maio a dezembro. O nome desta flor, em hindi, significa «perfume da noite».

Com efeito, ela decora as janelas e o quarto nupcial durante o período da cerimónia de casamento. Nos três primeiros dias, os noivos não se veem. Devem esperar até ao quarto dia para se poderem aproximar.

É então que a tuberosa entra em cena para acalmar a ansiedade dos jovens noivos e estimular o prazer. Oficialmente erótica, a tuberosa é, juntamente com o jasmim, a flor cúmplice do amor.

O Ylang-Ylang

A flor de ylang-ylang (cananga) provém de uma árvore e tem a forma de uma grande estrela desgrenhada. É para os indonésios a «flor das flores». Muito exótica, exibe uma natureza exuberante e extrovertida. Dos vulcões, de Madagáscar ou de Mayotte, herdou um lado floral explosivo que confere muitas cores aos perfumes.

O ylang-ylang, com as suas notas cremosas e carnais, faz lembrar o monoï solar. Possui uma dimensão sensual, lasciva e inebriante, ao mesmo tempo que é selvagem e narcótica. Graças ao processo de destilação, o ylang pode originar várias frações (extra, primeira, segunda, terceira).

As Flores Exóticas e Reconstituídas

A Flor de Frangipani

A flor de frangipani é uma flor sagrada na Índia, cuja floração abundante é invocada através de orações ardentes. Esta flor sagrada e delicada não entrega o seu perfume. Os perfumistas devem recorrer a «uma flor de laboratório», procedendo a «uma reconstituição», ou seja, a uma fórmula que integra cerca de dez componentes.

A Flor de Tiaré e o Monoï

O tiaré é um arbusto tropical no qual cresce a flor de tiaré de cor branca, símbolo nacional do Taiti. Está agora disponível como produto natural, por extração. Utiliza-se com parcimónia, pois a sua fragrância é, afinal, bastante dececionante.

O Monoï do Taiti: obtido por maceração de pelo menos 10 flores de tiaré por litro de óleo de copra refinado (óleo de coco), o produto é depois purificado por filtração. As flores de tiaré podem também ser tratadas de forma artesanal por um processo próximo do enfleurage.

O Pittosporum, a Gardénia e o Foul

  • O Pittosporum: Esta flor proveniente de um arbusto (loureiro australiano) tem uma fragrância entre a flor de laranjeira e o jasmim. É impossível obter uma essência ou um absoluto, pelo que o perfumista deve reproduzir o seu aroma com a ajuda de um acorde.
  • A Gardénia: O seu aroma cremoso e delicioso possui uma muito ligeira faceta de cogumelo fresco, apenas complementada com um toque de coco. O perfumista fará, portanto, uma reconstituição.
  • O Foul: Flor muito próxima da gardénia, muito apreciada no Médio Oriente. Esta também deve ser reconstituída.

Outros ingredientes solares

  • A Bergamota e a Tangerina: Evocam o sol e a frescura dos países mediterrânicos (Calábria).
  • As Notas Marinhas: Notas sintéticas (Calone, Hélional) ou naturais provenientes das algas.
  • A Mimosa: O absoluto de mimosa é um produto natural. A sua fragrância empolvada, floral e rica exprime uma tonalidade verde devido à presença das folhas durante a extração.
  • A Perpétua: Evoca o sol, a praia, o mar, os aromas do maquis corso. É uma flor especiada, distinta, muito pouco utilizada por ser difícil de domar.
  • O Coco: Evoca as férias (Piña Colada). Trabalhado a partir de uma molécula, o aldeído C18 (também possível em natural).

Alguns exemplos de perfumes solares

  • Mayotte (Mahora) Guerlain (descontinuado)
  • Quand vient l’été Guerlain (descontinuado)
  • Ylang Vanille Guerlain (descontinuado)
  • Embruns d’Ylang Guerlain
  • Mimosa Tiaré Aqua Allegoria Guerlain (descontinuado)
  • Coco Fizz, Aqua Allegoria Guerlain
  • Parfum Terracotta Guerlain
  • L’Instant Guerlain
  • Cruel Gardénia Guerlain
  • Dune Dior
  • Ombre bleue Jean-Charles Brosseau
  • L’eau ensoleillante Clarins
  • Beyond Paradise Estée Lauder
  • Sables Annick Goutal
  • Vanille Galante Hermès
  • L Lolita Lempicka
  • Moheli Diptyque
  • Songes Annick Goutal
  • Bronze Goddess Estée Lauder
  • Replica (Beach Walk) Martin Margiela
  • Ylang Le Labo
  • Sabbia Bianca Profumun Roma
  • Soleil Blanc Tom Ford

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