Perfumes do Mundo: Viagem olfativa ao Japão, à China e a Espanha

Natureza-morta japonesa com pétalas de cerejeira, balde de madeira de hinoki e frasco de perfume Mitsouko num cenário zen.

Acabo de regressar de viagem (a Espanha e ao Japão) onde realizei, entre outras coisas, numerosas «consultas de perfumes» às nossas Very Importantes Clientes.

Já sabia até que ponto a escolha de um perfume dependia da cultura, da alimentação, do ambiente natural, dos hábitos familiares… de cada pessoa! Tive confirmação disso, com algumas pequenas surpresas no que diz respeito ao Japão.

O Japão: Entre tradição e revolução olfativa

Perfume discreto, perfume presente

A maioria das japonesas tem o culto da «limpeza» e não apreciam muito o perfume. É muito mal visto estar perfumado no Japão. E como existe um grande respeito pelo outro, os japoneses fazem tudo para não incomodar quem os rodeia.

O presente é um ato importante, trata-se de um povo extremamente refinado, os embrulhos são sempre magníficos, o perfume oferece-se facilmente e, muitas vezes, a embalagem nunca é aberta. É assim que um mesmo presente viaja de casa em casa. Se for aberto, o perfume torna-se por vezes um objeto de decoração na casa.

Houve um grande entusiasmo das jovens mulheres pelos produtos de bebé, como Tartine et Chocolat ou o saudoso Petit Guerlain. Depois, pouco a pouco, a geração mais jovem começou a usar perfume, das notas florais verdes às notas florais frutadas (como In Love Again, Baby Doll e todos os perfumes nessa tendência).

Naturalmente, o fenómeno «moda» é muito importante, e os produtos líderes são: J’adore, Coco Mademoiselle e recentemente Chloé.

Perfume subtil e Sakura (Cerejeira)

Na Guerlain tivemos um perfume que alcançou um sucesso incrível durante muitos anos: Cherry Blossom (nota de chá ligeiramente frutada) que celebra o festival da cerejeira em flor, festa muito importante no Japão, o Sakura.

Esta estação no Japão marca o regresso das flores de cerejeira. O melhor momento para ver as flores de cerejeira é durante a primeira semana de abril.

As japonesas e japoneses ficam então com febre compradora por tudo o que é à base de flor de cerejeira: a pastelaria, as bebidas, o chá, etc… danças, cantos, jogos, espetáculos de quimono, exposições de flores, desfiles, espetáculos históricos de beleza, cerimónias religiosas e muito mais celebram a flor de cerejeira.

A grande tradição é também reservar o seu lugar debaixo de uma cerejeira em flor, para um piquenique ou simplesmente para descansar. É o cúmulo do luxo e o local ideal para formular votos de felicidade.

Florestas, Chipre e ritual do Furo-Sento

Eu tinha ficado um pouco com a ideia de que as japonesas só gostavam de usar perfumes como Cherry Blossom, mas ao realizar as minhas consultas de perfumes — refiro-me a pessoas «bastante instruídas» — fiquei surpreendida ao notar um gosto certo pelas notas amadeiradas e chipre, assim como pelas notas verdes.

Não é surpreendente que Mitsouko continue a ser a primeira referência do nosso catálogo no país do Sol Nascente. O seu nome, muito apreciado, contribui muito para isso, claro. Mas mais ainda as suas notas amadeiradas e de musgo, evocando a floresta tão cara aos japoneses (o passeio na floresta é a saída preferida em família). Mitsouko agrada porque é um verdadeiro chipre, nem demasiado «doce» nem demasiado florido.

A madeira de hinoki (cedro) está muito presente no ritual do banho. Graças às suas origens vulcânicas, o Japão possui múltiplas fontes de água quente, que deram origem a um verdadeiro culto do ritual do banho. Assim, a água na qual nos banhamos não é apenas água quente, mas água que atravessou as entranhas da terra, carregando-se de minerais e acabando por ser naturalmente muito quente.

  • O Furo (ou Ofuro): designa o banho familiar.
  • O Sento: designa o banho público.

O Furo-Sento é, portanto, um compromisso entre os dois. A temperatura de um Ofuro mantém-se constante entre 40° e 56°. Pode imaginar que a pele fica vermelha, mas em contrapartida, as tensões do dia desaparecem espontaneamente.

É preciso primeiro lavar completamente o corpo, ou mesmo escová-lo, antes de entrar no tanque, e depois enxaguar-se cuidadosamente. O tanque é preenchido continuamente com água a ferver, o que faz com que a quantidade de água interior se mantenha à mesma temperatura. A banheira japonesa é feita de madeira (o cedro) e dá frequentemente para um jardim sempre zen e refinado.

As versões modernas são construídas em mármore ou pedra. Foi uma verdadeira experiência que tive a sorte de viver em Quioto. O diretor da filial queria absolutamente que eu fosse ao banho com a assessora de imprensa japonesa, mas confesso que, sendo pudica, preferi ir sozinha, sabendo que os tinha ofendido.

Flores desconhecidas e fenómeno gourmand

Volto ao perfume. O efeito «moda» tem muito impacto: recentemente, numa revista «na moda», uma jornalista falava com fervor de Après l’Ondée (aconselhando-o especificamente aos homens), e este artigo desencadeou uma verdadeira corrida aos nossos balcões.

Observei igualmente que muitas mulheres apreciam as notas florais empolvadas, o que não é surpreendente quando sabemos que utilizam muitos produtos cosméticos perfumados com este tipo de notas. Têm um desconhecimento total das flores. A flor é, para elas, mais um conceito do que um aroma preciso; a rosa e o lírio-do-vale são dois aromas que apreciam e conhecem um pouco.

Adoram acima de tudo as orquídeas, que não têm cheiro. São muito sensíveis às texturas e ao vocabulário do toque: aéreo, denso, espesso, aveludado, sedoso, áspero, etc.

A loucura gourmand: Fenómeno recente, essencialmente para as mulheres! Descobriram a baunilha e o chocolate. Andares inteiros nos grandes armazéns são dedicados às guloseimas, enquanto culturalmente os japoneses não conhecem a noção de doce e a sobremesa não é tão comum como entre nós (raríssimas sobremesas à base de feijão).

Parece que, pela primeira vez, começam a ver-se no Japão «obesos». Por falar em doce, sabia que as frutas são vendidas à unidade, vestidas com uma bela renda? Nem lhes passaria pela cabeça comprar um quilo, ou mesmo 250 g.

Uma revolução voluptuosa?

Onde fiquei surpreendida foi ao constatar que as clientes, jovens e menos jovens, ousam usar fragrâncias mais voluptuosas. Fiquei espantada com esta evolução, ou mesmo revolução (é a 7.ª vez que vou ao Japão), quando as vi comprar sem problema: Gourmand Coquin, Cuir Beluga, Angélique Noire, Chypre Fatal, etc… e sorri quando uma cliente me disse que «Le voyage olfactif New York» (muito amadeirado), era «demasiado japonês» para ela.

  • Número um no Japão em 2008: Mitsouko
  • Número dois: Samsara (seguido dos Aquas)

A China: Orquídea e pureza

A palavra Guerlain é difícil de pronunciar para muitos países, mas na China, a palavra Guerlain «soa de forma» familiar, tem um significado bem preciso e positivo, pois significa orquídea em chinês. Compreenderá porquê a linha de cosméticos Orchidée Impériale é particularmente apreciada por eles.

Para comparação, e contrariamente ao Japão, os chineses apreciam o perfume, que faz parte da sua cultura. Após a experiência de Xangai e de Hong Kong, apercebi-me de que, devido à poluição e ao calor, era difícil usar lá perfumes orientais ou simplesmente intensos.

As chinesas são atraídas pelas notas florais frescas; a magnólia é particularmente apreciada na China, é cultivada no sul da China, e além disso é uma flor símbolo de pureza e de beleza feminina.

Nos nossos clássicos, a escolha orienta-se para Champs Elysées, Insolence eau glacée, os aquas e L’Instant Magic. Distribuímos os produtos da Maison Guerlain em Hong Kong na Harvey Nichols, e as melhores vendas são Angélique Noire, Rose Barbare e Cruel Gardénia.

Espanha: Frescura e Flor de Laranjeira

As crianças, desde a mais tenra idade, são «regadas» com água de colónia, daí o sucesso em Espanha das Aqua Allegoria e das notas frescas em geral. Além disso, o clima quente não convida a usar um perfume intenso.

As espanholas têm uma atração particular pela flor de laranjeira, flor muito presente na natureza em Espanha, assim como pela perpétua. Não é, portanto, surpreendente que Les Secrets de Sophie e La Cologne 68 sejam tão apreciadas em Espanha. O nosso número um em 2008 em Espanha era Insolence, seguido da gama Instant.

Acabámos de abrir a Maison Guerlain em San Sebastián, numa perfumaria tradicional Benegas. Existe desde 1908 e os proprietários são, tal como na perfumaria «Place Vendôme» na Bélgica, profissionais, apaixonados e amantes da Marca Guerlain.

Passei lá um momento requintado e pude encontrar jornalistas, VIP e apaixonados por perfumes. Os êxitos de Benégas são Rose Barbare, Angélique Noire, Cruel Gardenia, Cuir Beluga e a Cologne du 68.

Parto na próxima semana para o Canadá pela Guerlain, Toronto e Montreal, e farei certamente um pequeno balanço dos gostos das canadianas e dos Estados Unidos. Até muito breve!


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