Jacques Guerlain: Biografia completa de um génio da perfumaria

Retrato artístico evocando o perfumista Jacques Guerlain no trabalho, rodeado das suas matérias-primas e de inspirações impressionistas.

Este artigo é a tradução de um enorme trabalho realizado por Will INRI (um apaixonado por Guerlain e pela história do Perfume em geral, um jovem brilhante!) para a Wikipédia. Traduzi-o, encurtei-o, modifiquei-o ligeiramente e completei-o quando pude.

Admiro profundamente o trabalho de Jacques Guerlain, uso L’Heure Bleue há muitos anos e não me canso dele. Esta é uma homenagem para agradecer-lhe por me ter oferecido esta obra-prima que criou em 1912.

Como estou a ver a série Mr Selfridge, saga sobre a criação dos grandes Armazéns Selfridges nos Estados Unidos, onde Guerlain é homenageado (é no mesmo estilo de Downton Abbey), deu-me vontade de prestar homenagem a este grande Perfumista, diria mesmo este génio.

Jacques Guerlain: O homem e a obra

Jacques Edouard Guerlain (7 de outubro de 1874 – 2 de maio de 1963) foi um perfumista francês, o terceiro e o mais célebre da família Guerlain. Foi um dos perfumistas mais prolíficos e influentes do século XX.

Mais de 80 perfumes Guerlain permanecem conhecidos, mas algumas estimativas sugerem que compôs mais de 300. Entre os seus maiores perfumes estão «L’Heure Bleue» (1912), «Mitsouko» (1919), «Shalimar» (1925), «Vol de Nuit» (1933), etc.

Embora o seu trabalho lhe tenha valido renome universal, uma fortuna considerável e honras como a de Cavaleiro da Legião de Honra, Jacques Guerlain era discreto e não concedia entrevistas. Consequentemente, poucas informações nos chegaram sobre o seu processo criativo ou sobre a sua vida pessoal.

Muitas das suas obras principais estão arquivadas na sua forma original na Osmothèque, que faz parte da escola de Perfumaria de Versalhes, criada por Jean Pierre Guerlain. São igualmente apresentadas (50 perfumes repesados por Thierry Wasser e Frédéric Sacone) nos Champs Elysées e propostas à descoberta no atelier Vintage «Il était une fois…».

Juventude e aprendizagem

Jacques Guerlain, segundo filho de Gabriel e de Clarisse Guerlain, nasceu em 1874 na vivenda da família em Colombes. Estudou em Inglaterra, na tradição da família, e depois em Paris na École Monge, onde estudou história, inglês, alemão, grego e latim.

O seu tio, o perfumista Aimé Guerlain, não tinha filhos, e por isso formou Jacques desde os dezasseis anos como aprendiz e sucessor. Em 1890, Jacques criou o seu primeiro perfume «Ambre». Foi depois formado em química orgânica no laboratório de Charles Friedel na Universidade de Paris, antes de ser oficialmente empregado na empresa familiar em 1894.

Experimentou amplamente em ambos os domínios: produtos cosméticos e perfume. Desenvolveu um método para perfumar tinta, ao mesmo tempo que auxiliava numa publicação com Justin Dupont sobre diversos óleos essenciais.

Durante este período, compôs as suas primeiras obras, tais como «Le Jardin de Mon Curé» (1895). A partir de 1897, e durante dois anos, Jacques e Pierre partilharam as responsabilidades de gestor e de perfumista-chefe, até Jacques assumir o papel totalmente em 1899.

A Belle Époque e a Primeira Guerra Mundial

Na Exposição Universal de 1900, Jacques Guerlain apresentou o couro floral «Voilà Pourquoi j’aimais Rosine» em homenagem a Sarah Bernhardt (nascida Rosine Bernhardt), uma amiga da família Guerlain.

O perfume denominado «Fleur qui meurt» (1901) foi uma nova experiência em torno da violeta (criada em perfumaria por síntese, pois não se pode extrair a sua essência), acorde bastante recorrente na obra de Guerlain, logo seguido de um duo «Voilette de Madame» (1904) e «Mouchoir de Monsieur» (1904), (criado para um casal amigo dos Guerlain).

Este último sendo uma das suas raras criações masculinas e em grande parte semelhante à do seu tio: «Jicky» (1889), com o qual partilha o acorde Fougère (criado por Houbigant).

Em 1905, Jacques Guerlain casa com Andrée Bouffait, uma protestante de Lille, o que lhe valerá a excomunhão da Igreja Católica. O seu primeiro filho, Jean-Jacques, nasceu no ano seguinte.

Après l’Ondée (1906)

Jacques Guerlain conclui «Après l’Ondée» (1906), o seu primeiro grande sucesso comercial. Este perfume, bastante melancólico, é uma homenagem à natureza após a chuva, variação em torno das notas de heliotrópio e de violeta, e foi um dos primeiros ou o primeiro a conter uma molécula inteiramente nova, o aldeído anísico.

Este bouquet floral é também sublimado pelo eugenol (nota especiada) e uma sobredosagem de notas empolvadas provenientes da raiz de íris. Foi considerado uma obra maior, inclusive pelo perfumista Ernest Beaux. Après l’Ondée é o perfume que inspirará mais tarde «L’Heure Bleue».

A influência Oriental e Artística

Kadine, (título que designa as esposas de um sultão otomano) lançado em 1911, foi um dos primeiros perfumes de Guerlain a celebrar o Oriente, alguns anos depois de «Tsao Ko» criado em 1898. Este tema inspirará grande parte da sua obra.

Apreciava a arte oriental, como os celadons e o Blanc de Chine que colecionava para decorar o seu apartamento do Parc Monceau no 22 da rue Murillo. Esteta de gosto muito eclético, Jacques Guerlain era colecionador de faiança de Nevers e de Rouen.

Apreciava os móveis de André Charles Boulle e de Bernard van II Risamburgh (desde então legados ao Louvre), as pinturas de Francisco Goya, de Edouard Manet e de Claude Monet (incluindo La Pie, legada ao Louvre igualmente). Considerava que as pinturas impressionistas eram encantadoras nos quartos de crianças!

L’Heure Bleue (1912) e os prelúdios da guerra

A paixão de Guerlain pelo impressionismo e os seus efeitos de fim de tarde terão, pensa-se, certamente influenciado «L’Heure Bleue» (criado em 1912), uma metáfora do Paris do final da Belle Époque e do período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial. O neto e sucessor de Jacques Guerlain, Jean Paul Guerlain, explica-o assim:

«Jacques Guerlain disse que teve uma premonição do que ia acontecer na Europa. Eu não conseguia pôr em palavras esta emoção, queria captar estes últimos instantes de beleza e de calma antes da calamidade da guerra. Sentia algo tão intenso que só o conseguia exprimir num perfume.»

Na véspera do eclodir da Primeira Guerra Mundial, Guerlain lançou «Le Parfum des Champs-Elysées» (1914), um floral acoirado, para inaugurar a boutique do 68 da avenue des Champs Elysées. Foi vendido num frasco em forma de tartaruga, que terá sido propositadamente escolhido como uma mensagem dirigida ao arquiteto da boutique, Charles Méwès.

Com efeito, Jacques Guerlain achava que o edifício dos Champs Elysées estava a ser construído demasiado lentamente (um ano inteiro)! Este mesmo magnífico frasco foi reeditado em cristal Negro na reabertura da Maison des Champs Elysées em 2015, na sequência das obras realizadas pelo arquiteto Peter Marino.

Jacques Guerlain foi mobilizado pouco tempo depois. Nessa época, tinha 41 anos e já era pai de três filhos (viria a ter cinco). Ao servir na guerra, sofreu um ferimento na cabeça que o deixou cego de um olho e assim regressou a casa.

Impossibilitado de conduzir novamente, a sua mulher passou a conduzi-lo. Impossibilitado doravante de montar a cavalo, o seu gosto pela caça também o abandonou. Os seus fins de semana passavam-se com a família e os seus cães na propriedade dos pais, no Vallée Coterel, uma bela residência edificada no domínio des Mesnuls.

Em 1916, a sua mãe, Clarisse, falece aos 68 anos. Jacques Guerlain lança um perfume durante a guerra, «Jasmiralda», jasmim amadeirado fazendo referência à heroína de Marius Petipa «La Esmeralda».

Entreguerras: Exotismo e Obras-primas

«Mitsouko» foi criado em 1919, e é o resultado de várias centenas de ensaios com o musgo de carvalho (hoje substituído na Guerlain pelo musgo natural de outra árvore) e o pêssego com aroma de gamma-undecalactona, também chamado C14.

Batizado com o nome da heroína de Claude Farrère do romance «La Bataille» (1909), o perfume expressa a considerável atração de Jacques Guerlain pela Ásia e particularmente pelo Japão.

«Mitsouko», um chipre imponente, foi igualmente considerado o arquétipo da nova mulher do pós-guerra, uma mulher emancipada (que substituiu o homem durante a guerra), em contraste com o seu perfume do pré-guerra «L’Heure Bleue», um floral ambarado essencialmente suave com o seu fundo aveludado.

Diz-se na Guerlain que «L’Heure Bleue» e «Mitsouko» têm o mesmo frasco como para abrir e fechar o parêntese entre o início e o fim da guerra. (Penso que durante este período, devia ser difícil desenvolver um novo design de frasco).

Shalimar (1925)

Em 1925, Jacques Guerlain apresentou o seu magnífico opus: «Shalimar» na Exposição Internacional das Artes Decorativas e Industriais Modernas, da qual Pierre Guerlain (irmão de Jacques) era vice-presidente. O perfume prestou homenagem aos epónimos jardins Mogóis do Norte da Índia. Foi a culminação de quatro anos de trabalho. Tinha cinquenta anos.

«Shalimar» tornou-se o arquétipo «oriental» da perfumaria, e continua a ser o best-seller da Maison. Eis as palavras de um perfumista reputado: «Quem não conhece o rasto perturbante de Shalimar?». O frasco criado por Raymond Guerlain em colaboração com o designer da Baccarat, Monsieur Chevalier, recebeu o primeiro prémio nesta exposição internacional.

Djedi, Liu, Vol de Nuit

Guerlain continuou a ultrapassar limites no ano seguinte, lançando «Djedi» (1926), fazendo referência ao mago do Papiro Westcar, e depois «Liu» (1929), nome da escrava na ópera de Puccini, Turandot, que reflete a admiração de Guerlain pelo compositor, e que foi o seu primeiro floral aldeído, nascido, diz-se na Guerlain, de um concurso com Ernest Beaux, criador do n.º 5 de Chanel.

Em 1932, Guerlain tornou-se membro do comité de auditoria do Banco de França e permanecerá membro deste banco e conselheiro durante os vinte anos seguintes.

Em 1933, Guerlain cria «Vol de Nuit», uma obra bastante sombria. O perfume tomou o seu nome do romance «Vol de nuit» (1931) de Antoine de Saint-Exupéry (um amigo pessoal de Guerlain), baseado na experiência do autor no universo da aeropostal.

Nesse ano, o pai de Jacques Guerlain, Gabriel, com quem tinha trabalhado longamente, falece aos 92 anos em Les Mesnuls. Guerlain herda então a casa de campo do pai e a sua coudelaria: o Haras de la Reboursière et de Montaigu.

Nos anos seguintes surgiram «Sous le Vent» (1934), referenciando as ilhas Leeward e criado para Joséphine Baker (um perfume por medida), seguido por «Coque d’Or» (1937), inspirado por Diaghilev e a criação do ballet tirado da obra de Rimski-Korsakov «Le Coq d’or», para os Ballets Russes.

A Segunda Guerra Mundial e os últimos anos

No eclodir da Segunda Guerra Mundial, o filho mais novo de Jacques Guerlain, Pierre, então com 21 anos, foi mobilizado e mortalmente ferido em Baron, ao longo do rio Oise. Guerlain ficou profundamente abalado e cessou de criar durante dois anos, abandonando também a sua coudelaria na Normandia. Passou então a cultivar frutas e legumes que enviava aos seus operários de fábrica.

Em 1942, Guerlain regressou à criação com o perfume «Kriss», cujo nome provém de um punhal indonésio. A fábrica da Sociedade em Bécon-les-Bruyères foi destruída pelos bombardeamentos do ano seguinte.

Depois, à medida que a guerra chegava ao fim, Guerlain caiu numa profunda depressão. Reeditou «Kriss» em 1945, rebatizado «Dawamesk», nome proveniente de uma preparação de haxixe.

Continuou a trabalhar durante os dezoito últimos anos da sua vida, embora abrandasse progressivamente o ritmo das suas criações. Pouco a pouco, retirou-se para a sua propriedade em Les Mesnuls, e dedicou o seu tempo aos seus canteiros de flores, pomares e jardim japonês.

As suas criações finais incluem «Fleur de Feu» (1948), um perfume fresco e aldeído, e, quatro anos mais tarde, o perfume «Atuana» (uma variante ortográfica de Atuona), ilha do Pacífico identificada como último local de repouso do pintor Paul Gauguin.

«Ode» (1955), o canto do cisne de Guerlain, criado com o seu neto e sucessor Jean Paul Guerlain, é um floral clássico em homenagem aos seus jardins.

Guerlain trabalhou em dois laboratórios e fábricas: o primeiro foi em Bécon-les-Bruyères, destruído pela guerra em 1943, e o segundo em Courbevoie, construído em 1947. A nossa fábrica de Perfume encontra-se agora perto de Les Mesnuls, em Orphin. E recentemente abriu a de cosméticos perto de Chartres, chamada La Ruche.

Em 1956, Jacques Guerlain aceitou a contragosto ser fotografado no seu laboratório e casa de campo por Willy Ronis para uma edição especial da revista da Air France. Estas fotografias, tiradas no final da carreira de Jacques Guerlain, oferecem um raro vislumbre da sua vida profissional e pessoal.

Trabalhou com o seu neto em «Chant d’Arômes», lançado em 1962. Jacques Guerlain considerava-se então inapto para a criação e declarou ao seu neto: «Infelizmente, já só sei criar perfumes para senhoras idosas.»

Jacques Guerlain faleceu em Paris, a 2 de maio de 1963, aos 88 anos. Embora não fosse um católico praticante, o seu funeral teve lugar na igreja Saint-Philippe-du-Roule dois dias depois. Foi sepultado ao lado do seu filho, Pierre, e do seu pai, no cemitério de Passy.

Influências e Legado

Observava atentamente as criações de François Coty. «L’Origan» (1905) é frequentemente citado como a base de Guerlain para «L’Heure Bleue» (1912). Mas não esqueçamos que criou em 1906 «Après l’Ondée», prelúdio desta ode à natureza.

«Chypre» de Coty (1917), modelo para «Mitsouko» (1919). Mas não esqueçamos que Guerlain lançou bem antes, em 1909, «le Chypre de Paris», e que dizer de «L’Eau de Chypre». Poderá ver no artigo anterior sobre os vintages que Chypre de Paris de Guerlain possuía já um acorde dito «chipre» com bergamota, rosa e musgos.

Certamente não possui, que eu saiba, esteva-labdanum, mas sim cálamo. Penso que Chypre de Coty foi um sucesso comercial e possuía um acorde Chipre mais apurado.

«Émeraude» de Coty (1921), inspiração para Shalimar (1925). Mas não esqueçamos a criação do acorde oriental em Jicky, em 1889, e de «Sillage» em 1907, que já apresenta todos os seus prelúdios. A resposta não é, portanto, evidente! Will não partilha inteiramente a minha opinião, mas poderá ver na Wikipédia a sua versão original em inglês.

Ernest Beaux declarou sobre Shalimar: «Com a tonelada de vanilina que Jacques Guerlain usou, mal conseguiríamos fazer um sorvete. Guerlain, ele, fez uma maravilha!». Guerlain admirava Paul Parquet, cuja influência na época é inegável.

A Guerlinade e as matérias-primas fetiche

Descrito como um «pasteleiro virtual» pelo crítico Luca Turin, J. Guerlain desenvolveu uma paleta rica de notas doces e cremosas, que mesclou com as do seu tio e predecessor, Aimé Guerlain, baseada nas notas ambaradas. Estas notas são um estilo, uma assinatura chamada «Guerlinade».

Jacques Guerlain foi também pioneiro na utilização das notas verdes, como o gálbano, que foi considerado muito audacioso para a época, e que se encontra em Vol de Nuit e em Sous le Vent.

Podem ser considerados precursores de perfumes como o criado por Paul Vacher, Miss Dior em 1947. Alguns perfumistas pensam igualmente que existe uma correspondência entre Sous le Vent e Eau Sauvage de Dior.

Certos materiais são omnipresentes na obra de Guerlain: citrinos de alta qualidade (bergamota, limão, tangerina doce e laranja amarga), a cumarina, os absolutos florais (cássia, jasmim, rosa, flor de laranjeira), notas verdes (gálbano), de violeta (iononas) e as mais belas qualidades de íris, a baunilha e o ylang-ylang.

Tinha uma predileção pelas notas aromáticas especiadas (cardamomo, canela, cravinho, noz-moscada) e certas ervas de Provença (absinto, angélica, manjericão, louro, cominhos, coentros, cominhos, estragão). Era um especialista das resinas aromáticas (benjoim, labdanum).

Com efeito, utilizou o opopónax na maioria das suas fórmulas, por vezes em quantidades ínfimas — impercetíveis por si só, mas indispensáveis à textura global do perfume. As suas notas de base consistiam frequentemente em fortes doses de almíscares artificiais (almíscar cetona, almíscar ambrette, almíscar xileno), dos quais fez amplo uso, bem como de âmbar-cinzento.

Tal como François Coty e Ernest Daltroff, Guerlain incorporava frequentemente as bases produzidas por M. Naef e as Fabriques de Laire, em particular deste último, a Mousse de Saxe para criar um acorde de couro distintivo. Era também amigo de Louis Amic e Justin Dupont, ambos na Roure-Bertrand, com quem assinou um acordo de exclusividade para certas moléculas de novo utilizadas, como a etilvanilina empregue em Shalimar.

A técnica de J. Guerlain consistia em saber equilibrar as moléculas de síntese e as notas naturais, o que é considerado exemplar. Como perfumista independente, J. Guerlain conheceu uma total liberdade criativa.

«Jacques Guerlain trabalhava como um pintor de retratos no seu cavalete», escreveu Jean-Paul Guerlain, «e quando a criação estava concluída, escolhia um frasco — como um pintor escolheria uma moldura — e propunha o novo perfume à venda na Boutique sem mais demora.» Frequentemente, descia à boutique para pedir a opinião das clientes fiéis.

O seu processo criativo variava grandemente conforme o trabalho em questão. Algumas das suas fórmulas são relativamente curtas, incluindo a de «Mitsouko» (1919). Outras são mais elaboradas, integrando por vezes perfumes anteriores (chamadas fórmulas em gaveta); «Cuir de Russie» (1935) conta entre os seus ingredientes «Le Chypre de Paris» (1909) e «Mitsouko».

Fiel musa de Guerlain, diz-se, era a sua esposa, Andrée, afetuosamente apelidada de Lili, para quem criou nomeadamente «Cachet Jaune».

«Lembre-se de uma coisa», diz Jean-Paul Guerlain, seu neto: «Criamos sempre perfumes para a mulher com quem vivemos e que amamos.» Guerlain pouco falava do seu trabalho e do processo criativo. De facto, era bastante taciturno. J. Guerlain, ao falar do processo criativo de uma fragrância, respondia simplesmente: «A Perfumaria? É uma questão de paciência e de tempo».

Um legado duradouro

Contrariamente a François Coty, Ernest Daltroff ou Paul Parquet, perfumistas autodidatas que revolucionaram a Perfumaria no início do século XX, Jacques Guerlain distinguiu-se pelo seu discernimento astuto e pelo seu tradicionalismo cauteloso, sem dúvida influenciado pelo peso do legado familiar.

Marcel Billot, presidente fundador da Sociedade Francesa de Perfumistas, descreve com justeza J. Guerlain como «Um génio que sabia ser do seu tempo, vivendo contudo em conformidade com a tradição».


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